Certificação WELL e o Caso SETRI

A revista GBC Brasil número 8 traz uma matéria exclusiva com o primeiro case WELL realizado no Brasil com a consultoria StraubJunqueira.

Queremos também aproveitar e parabenizar os Srs. Marcos Bensoussan e Fernando Bensoussan, sócios da Setri, pelo pioneirismo e avanço numa área importantíssima da sustentabilidade, que visa adequar os espaços de trabalho para trazer mais saúde, bem-estar e qualidade de vida para as pessoas.

Confira abaixo a matéria:

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O Caminho das Águas

O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU em 22 de Março de 1992. Nessa data, foi também apresentado o documento “Declaração Universal dos Direitos da Água”, confira o documento na íntegra mais abaixo na matéria. Desde então, a semana do dia 22/03/1992 traz os mais diversos eventos sobre o tema. Sejam palestras em empresas, seminários, exposições e ações promovidas pela sociedade.

Esse ano, a StraubJunqueira participou de dois eventos: Fórum Água 2016 – CEBDS e FIESP – A Crise Não Acabou. Ambos os eventos promoveram debates importantes, com professores e estudiosos, sobre esse recurso que parece ser tão abundante, mas que na realidade se mostra tão escasso.

Deste modo, em meio a tantos eventos e ações de diversas inciativas que ocorreram nesta semana, gostaríamos de compartilhar alguns questionamentos que nos fizemos ao longo desses dias:

 

  1. Será que a crise hídrica realmente acabou em São Paulo?
  2. Quem foi o grande “vilão” nessa crise hídrica que se iniciou em São Paulo em 2011 e se alastrou pelo Brasil? Foi a escassez de chuvas, o que não ocorria desde 1930, ou foi a falta de atenção das autoridades competentes que não deram valor a real dimensão do problema? Lembrando que estudos apontavam para esse problema e ainda o fazem.
  3. Falandosobre gestão, será que a solução está em buscarmos água em fontes cada vez mais longe das grandes metrópoles e gastando bilhões de reais ou em buscarmos medidas de redução do consumo e desperdício de água?
  4. Não seria interessante diversificar o sistema de abastecimento de água? Pensando agora nos efeitos das mudanças climáticas, será que a disponibilização desse recurso sempre virá da mesma forma? Será que não deveríamos utilizar junto com as águas represadas (superficiais), também as subterrâneas? Ou até mesmo a dessalinização da água do mar, já sendo feita em 9 estados brasileiros?
  5. Ainda sobre a Austrália, esse país do tamanho do Brasil, porém com uma população 10 vezes inferior, passou por uma crise hídrica que iniciou em 1990 e foi oficialmente encerrada em 2012, ou seja, 22 anos de crise. Será que estaríamos preparados para um período de estiagem dessa magnitude? A solução encontrada por eles foi a de dar o direito de posse de água para os seus cidadãos, o que significa que os australianos poderiam comprar e vender a água que recebem, e investir em plantas de dessalinização. Em algumas regiões mais áridas, há ainda a ideia de se tratar o esgoto para consumo humano, algo considerado seguro pelos especialistas e muito mais barato que potabilizar a água do mar.
  6. Nessa mesma linha, Nova York capta sua água das montanhas Catskills, há quase 200km de distância. Para atender a legislação americana, apenas joga-se cloro na água. A grande questão enfrentada por eles é se era menos custoso fazer estações de tratamento de água ou optar por proteger seus mananciais da poluição. A segunda opção foi mais vantajosa, então a cidade de Nova York comprou grandes áreas no entorno do manancial para manter e proteger. As que não foram adquiridas pela megalópole utilizou-se o PSA – Pagamentos por Serviços Ambientais – em outras palavras, a cidade de Nova York paga para os proprietários de terras próximos aos seus mananciais para que os mesmos não exerçam nenhuma atividade que possa influenciar a qualidade da água que passa pelos terrenos para chegar até chegar ao seu destino. Enquanto isso, o maior reservatório de São Paulo é o Cantareira. O que fazemos para protegê-lo e recuperar sua mata ciliar? Mais preocupante ainda, será que temos algum plano de curto, médio e longo prazo para mantermos sua relevância? A cidade de Extrema, em Minas Gerais, optou pelo PSA. No evento da FIESP foi dito que devido a explosão demográfica em algumas cidades da Serra da Mantiqueira, a água que abastece o cantareira hoje é apenas 30% do que era a 10 ou 15 anos atrás. Será que São Paulo não poderia utilizar uma partezinha dos bilhões em investimentos de novos reservatórios e estações de tratamento de água e fazer algo como fez Nova York?
  7. Se 70% da água consumida no Brasil é para a agricultura, 22% para a indústria e 8% para a população em geral, será que não deveríamos estar pensando em políticas para melhorar o sistema de irrigação das plantações e o processo das indústrias? A conscientização da população também é fundamental nesse processo, porém, honestamente, o que aprendemos com a crise de 2011 a 2016?

Por fim, abastecimento de água está atrelado com o sistema de coleta e tratamento de esgoto. Não se pode pensar somente em crise hídrica num país em que quase todos os seus rios estão comprometidos. Torna-se impensável ter que entender a crise hídrica quando se falta água na torneira, mas tem enchente na sua porta (e isso realmente aconteceu em São Paulo).
Com os questionamentos postos, convidamos vocês a darem suas opiniões e levantarem outras perguntas. Acreditamos que promovendo debates como esses, de forma ampla, podemos  compreender melhor a dimensão dos problemas e atuarmos, mesmo que de forma local, pensando sempre no global! Afinal a água deveria ser de todos!

Declaração Universal dos Direitos da Água

Art. 1º – A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Art. 2º – A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.

Art. 3º – Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.

Art. 4º – O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.

Art. 5º – A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.

Art. 6º – A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Art. 7º – A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Art. 8º – A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.

Art. 9º – A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Art. 10º – O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Fonte:

http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Meio-Ambiente/declaracao-universal-dos-direitos-da-agua.html

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Artigo Sobre o WELL na AECWEB

A AECweb publicou um artigo sobre o sistema WELL em seu site. A SJ contribuiu para esse artigo com o case da SETRI e também com alguns dados técnicos.

Segue abaixo o link do site e o texto na íntegra.

http://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/certificacao-well-traz-saude-e-bem-estar-a-ocupantes-de-edificacoes_13114_0_1

Certificação WELL traz saúde e bem-estar a ocupantes de edificações

Criada em 2014 e recém-chegada ao Brasil, ferramenta estabelece requisitos de desempenho em sete categorias, entre elas ar, água e iluminação

Redação AECweb / e-Construmarket

O escritório da empresa Setri é o primeiro case em fase de certificação Well (foto/divulgação Setri)

Resultado de sete anos de pesquisas desenvolvidas por profissionais da medicina, ciências e construção civil, a certificação WELL Building Standard é a primeira no mundo a se concentrar exclusivamente na saúde e bem-estar dos ocupantes das edificações. “Considerando que as pessoas passam cerca de 90% do seu tempo em ambientes construídos, é fundamental avaliar o impacto desses locais em seus usuários”, destaca a arquiteta Maíra Macedo, coordenadora de Relações Institucionais e Governamentais no Green Building Council Brasil (GBC Brasil).

Lançada em 2014 pelo International WELL Building Institute (IWBI) e administrada em parceria com o órgão certificador Green Building Certification Institute (GBCI), a certificação WELL estabelecerequisitos de desempenho em sete categorias: ar, água, alimentação, iluminação, fitness, conforto e mente.

O primeiro case, em fase de certificação, é do escritório da empresa Setri, em São Paulo, que conta com a consultoria da StraubJunqueira. Para Macedo, o case será referência no país. A obtenção da certificação começa com a equipe responsável registrando o empreendimento na plataforma digital WELL Online e enviando toda a documentação necessária. Para tanto, a edificação precisa estar com, pelo menos, 50% de sua ocupação durante período mínimo de um mês.

“Espaços certificados podem ajudar a criar um ambiente construído que melhore a alimentação, a condição física, o humor, os padrões de sono e o desempenho de seus ocupantes”

Maíra Macedo

Depois que a documentação é aprovada, tem início a etapa de verificação de desempenho, quando diversas medições são feitas no empreendimento. “Espaços certificados podem ajudar a criar um ambiente construído que melhore a alimentação, a condição física, o humor, os padrões de sono e o desempenho de seus ocupantes”, fala Macedo. É o caso, por exemplo, da categoria ar, que avalia aspectos como a existência de micróbios e mofos que podem surgir nas serpentinas dos sistemas de HVAC e desencadear dores de cabeça, alergias ou outras doenças do sistema respiratório.

Para satisfazer os requisitos da categoria alimentação, as refeições e bebidas vendidas ou distribuídas no local devem cumprir determinadas condições de rotulagem, contendo informações nutricionais. “O objetivo é desestimular o consumo de alimentos com ingredientes processados, que contêm índices elevados de açúcar, calorias e gorduras”, completa.

SISTEMAS E SOLUÇÕES

A certificação WELL abrange 102 características do empreendimento, dividas em pré-condições e otimizações, sendo que cada uma delas é desmembrada em partes a serem atendidas através de projeto, medições ou protocolo (relatórios, cartas, documentações).

“São inúmeras as soluções e sistemas possíveis que podem contribuir para obtenção da certificação”, informa a arquiteta. Voltando ao exemplo da categoria ar, o controle de mofos e micróbios pode ser feito com o uso de lâmpada ultravioleta sobre as serpentinas de resfriamento e drenagem nos sistemas mecânicos.

A certificação tem, ainda, exigências mais simples, como a adoção de política de viagens de negócios, com preferência para voos que não ocorram na madrugada, ou, se for indispensável, que o funcionário possa trabalhar remotamente no dia da chegada.

A certificação WELL também leva em consideração a correta especificação de mobiliário ativo, o desenvolvimento de espaços para atividades físicas (tanto externos como internos), a instalação de equipamentos de ginástica, o planejamento acústico e a incorporação da natureza no ambiente. “A certificação foi concebida para complementar outros selos de green building, incluindo o Leadership in Energy and Environmental Design (LEED), com uma nova abordagem para melhor atender à saúde humana e à sustentabilidade ambiental dentro dos edifícios”, destaca Macedo.

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LEED E WELL JUNTOS

O GBCI e o IWBI estudam como o LEED e o WELL podem trabalhar em conjunto, tornando mais fácil para os projetos obterem as duas certificações. São três as categorias do selo WELL: Silver, Gold e Platinum, porém não há o Certified como no LEED, e a avaliação é feita através de percentual e não por pontuação. “Para conquistar qualquer uma das categorias, é necessário o atendimento de todas as pré-condições estabelecidas e uma percentagem das otimizações”, explica a arquiteta.

A primeira versão da certificação abrange as tipologias de edifícios (novos ou já existentes) de escritórios comerciais e institucionais, bem como projetos de interiores até a categoria Core & Shell, que contempla a envoltória do empreendimento, incluindo janelas e vidros na fachada, sistema de aquecimento, refrigeração e ventilação, entre outros.

Visando a melhoria contínua e o avanço da certificação, foram desenvolvidos pelo IWBI programas pilotos para o setor de varejo, residências, educação, restaurantes, cozinhas comerciais, instalações de saúde, instalações esportivas e setor público. Após receber o WELL, a edificação precisa passar, a cada três anos, por novo processo de certificação com o objetivo de verificar se continua cumprindo o desempenho aferido inicialmente. Nesse período, devem ser apresentados dados anuais, de acordo com a necessidade específica de cada categoria.

“Na recertificação, o nível eventualmente sofrerá variação, devido à implantação de melhorias relacionadas às categorias avaliadas, ou mesmo à falta de manutenção adequada que poderá interferir nos resultados de desempenho. A qualquer momento, a equipe de projeto pode enviar documentação evidenciando o atingimento de outras categorias para melhorar o nível da certificação”, ressalta a arquiteta Maíra Macedo.

“Um dos grandes diferenciais do case da Setri é que a empresa se antecipou e encaminhou para os laboratórios credenciados do selo a avaliação da qualidade da água e do ar, o que normalmente seria feito pelo agente comissionador”

Maíra Macedo

DESAFIOS NACIONAIS

Uma das principais barreiras para a viabilização da certificação WELL no Brasil são os altos custos das taxas de registro, certificação e comissionamento pagas ao IWBI. Até junho de 2016, as tarifas estarão com valores reduzidos para incentivar que novos projetos busquem o selo. Essas taxas são proporcionalmente mais atrativas de acordo com a metragem construída, ou seja, quanto maior o projeto, mais barato fica por metro quadrado.

Além da questão financeira, ainda existem particularidades na certificação que não são habituais à realidade nacional, tais como a necessidade de monitorar os níveis de ozônio no ar externo e oferecer produtos de alimentação de origem animal que apresentem certificação classificada como Human Certified. “Existem somente dois fornecedores deste tipo no Brasil e para produtos diferentes”, informa o engenheiro Eduardo Straub, da consultoria StraubJunqueira, destacando que nenhuma dessas barreiras é um real impeditivo para a viabilização da certificação WELL no país.

Como qualquer nova certificação, o WELL ainda está em fase da maturação, porém deve evoluir rapidamente para minimizar as dificuldades e abranger melhor as diversidades de cada projeto e região.

Saiba mais sobre o case Setri:

O escritório da Setri tem 50 m2 de área total construída e está localizado em um edifício entregue no início da década passada. Por isso, a tipologia para a certificação foi de interiores existentes. “O projeto tem algumas particularidades e, para atendimento da certificação, foi necessário realizar uma série de adaptações, mas sem envolver reformas e obras”, afirma o engenheiro Eduardo Straub.

A empresa tem três ocupantes, todos sócios, e sua área de atuação está voltada para serviços ligados à saúde e qualidade de vida das pessoas dentro das edificações, o que facilitou a implantação de vários procedimentos e políticas exigidos pela certificação WELL.

O nível da certificação pretendida pelo projeto é o Ouro, o que exigiu mudanças físicas e comportamentais, com a alteração de velhos hábitos. Entre as soluções empregadas está a instalação de filtros mais eficientes no sistema de ar-condicionado, associado a equipamentos que monitoram a umidade relativa do ar e acionam dispositivos que garantem a correção para níveis adequados de conforto, ora umidificando, ora fazendo a desumidificação.

Outra solução foi a substituição de todas as lâmpadas para oferecer uma coloração mais confortável para o desenvolvimento das tarefas dentro do escritório e favorecer o relógio biológico dos ocupantes, sincronizando as funções fisiológicas no ciclo de 24 horas. “Um dos grandes diferenciais do case da Setri é que a empresa se antecipou e encaminhou para os laboratórios credenciados do selo a avaliação da qualidade da água e do ar, o que normalmente seria feito pelo agente comissionador”, fala Straub.

COLABORAÇÃO TÉCNICA

Eduardo Straub – É LEED AP BD+C, sócio da StraubJunqueira – Consultoria em Construção Sustentável. Engenheiro Civil, formado pela Escola de Engenharia Mauá, pós-graduado em Gestão Ambiental pelo SENAC, curso de especialização em Construções Sustentáveis pelo GBC Brasil; máster em Gestão de Sustentabilidade pela FGV, LEED AP BD+C; membro e participante dos comitês do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS); participante dos comitês do referencial técnico para residências – GBC Casa.

Luiza Junqueira – É LEED AP BD+C; DGNB Consultant e consultora do GBC Casa. Sócia da StraubJunqueira – Consultoria em Construção Sustentável. Arquiteta e Urbanista, formada pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Ainda na universidade se tornou a primeira estudante LEED AP do Brasil. Atua na área de consultoria em sustentabilidade com ênfase em certificação LEED desde 2007, participando ativamente de empreendimentos certificados em todo o Brasil, dentre o quais destaca-se o primeiro empreendimento Core & Shell do país, a primeira escola da América Latina e a primeira sede de prefeitura do Brasil. Fez parte da equipe de vários outros como shoppings centers, arenas de futebol para a copa do mundo FIFA 2014, indústrias, entre outros do setor público e privado. Também é Consultora certificada DGNB (German Sustainable Building Council), e atua como voluntária do Living Building Challenge São Paulo. É professora do GBC Brasil, responsável pelo curso “Como se Tornar um LEED Green Associate”.

Maíra Macedo – Arquiteta e Urbanista LEED GA, Coordenadora de Relações Institucionais e Governamentais no Green Building Council Brasil, Mestre em Arquitetura Sustentável pela Universidad Politècnica de Catalunya e MBA em Gestão em Negócios Imobiliários pela ESPM.

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Sustentabilidade corporativa depende de práticas gerenciais

Transparência, critério na compra de produtos e relacionamento com vizinhança são práticas estimuladas pela gestão sustentável

http://www.aecweb.com.br/cont/m/rev/sustentabilidade-corporativa-depende-de-praticas-gerenciais_12098_0_1

Redação AECweb / e-Construmarket

“Meu empreendimento será certificado LEED. Então, minha empresa também será LEED?” A pergunta recorrente levou o engenheiro Eduardo Straub e a arquiteta Luiza Junqueira, ambos LEED AP, titulares da StraubJunqueira, a colocarem em foco um nicho pouco explorado no setor da construção civil: o da sustentabilidade corporativa. “Desenvolvemos uma metodologia para tornar sustentáveis empresas da cadeia da construção, e não apenas o empreendimento”, diz ele. Independentemente de estarem sediadas em edifícios construídos de acordo com as exigências da sustentabilidade, o que conta são as práticas gerenciais dessas empresas. Para uma incorporadora, são consideradas, entre outras atuações, a sua governança e a comunicação com seusstakeholders.

“É o caso da incorporadora que compra um terreno e, nele, constrói um edifício que pode até mesmo ser sustentável, mas jamais conversa com a vizinhança. Nos relatórios de sustentabilidade, essa empresa deve deixar claras suas responsabilidades socioambientais. Isso vale para a vizinhança, mas também para os futuros clientes”, comenta Straub, lembrando que essa postura vale para toda a cadeia da construção civil.

“Desenvolvemos uma metodologia para tornar sustentáveis empresas da cadeia da construção, e não apenas o empreendimento”

Eduardo Straub

A excelência em sustentabilidade corporativa leva tempo para ser atingida. São traçados objetivos e metas a serem alcançados em curto, médio e longo prazos, de maneira que a empresa conheça as etapas que terá de percorrer. “Por exemplo, ela nunca poderá se autointitular sustentável se ela não tem ideia de onde vêm os produtos que está adquirindo e quem são os fornecedores. Porque, sem esse conhecimento, pode estar comprando madeira ilegal ou itens de indústrias que praticam informalidade”, alerta o engenheiro.

De acordo com Junqueira, empresas que praticam o greenwashing (maquiagem verde) muitas vezes o fazem por má-fé, mas na maioria dos casos o fazem como resultado do desconhecimento do assunto. “A ponto de acharem que existe uma certificação LEED para produtos – quando na verdade, podemos falar em produtos que atendem aos critérios da certificação”, comenta.

A consultoria procura levar treinamento às empresas da cadeia da construção para todos os atores, desde os que trabalham no canteiro até os que atuam nas indústrias, de maneira que tenham conhecimento do que é sustentabilidade e evitem reportar greenwashing.

“O empresário não percebe que esse investimento [em materiais sustentáveis] trará resultados futuros, não somente financeiros, mas de valor para a empresa, além de evitar o uso excessivo de recursos naturais”

Luiza Junqueira

ENTRAVES

O principal entrave identificado pelos consultores é a falta de clareza de algumas empresas sobre a importância da sustentabilidade corporativa. Na opinião de Straub, a sociedade está cada vez mais exigente, pedindo por essas práticas, e quem não entender isso a tempo vai deixar de existir no futuro, ou terá de mobilizar muito mais capital financeiro para alcançar as demais. “É clássico o caso de incorporadoras/construtoras que contam com a nossa consultoria para certificar um empreendimento, mas que consideram a compra de materiais de melhor qualidade ou mais sustentáveis como um custo, e não como investimento. O empresário não percebe que esse investimento trará resultados futuros, não somente financeiros, mas de valor para a empresa, além de evitar o uso excessivo de recursos naturais”, relata Luiza Junqueira. Já Straub chama a atenção para a necessidade de o tema da sustentabilidade permear todos os funcionários das empresas. Devem ter a percepção de qual política norteia a adoção dessas práticas, que valores trará e por que implementá-la.

Os profissionais consideram que os segmentos mais resistentes à implantação da sustentabilidade gerencial são as pequenas e médias construtoras, além dos pequenos fabricantes de materiais. “Com a disseminação das certificações de impacto ambiental, o mercado passou a buscar produtos mais adequados ambiental e socialmente. Alguns fabricantes já estão se adequando, porém, muitos temem, na implantação de uma gestão sustentável – que exige transparência na comunicação da empresa –, correrem o risco de revelar segredos industriais ou práticas pouco éticas. Isso abrange a origem das matérias-primas, que podem conter contaminantes, a utilização de mão de obra escrava ou a criação de impactos ambientais e sociais na sua extração”, revela Straub.

Case

A StraubJunqueira está trabalhando com uma empresa de montagem de estruturas metálicas que deseja saber o que deve fazer para ter uma gestão mais sustentável. Segundo Straub, a primeira etapa consistiu na verificação da legislação e das normas técnicas que impactam sua atividade. Outra fase do processo envolverá a identificação da origem das matérias-primas que utiliza – no caso, dos componentes utilizados na montagem das estruturas. “Posteriormente, essas informações deverão ser comunicadas à cadeia que compra o seu serviço”, explica Straub, lembrando que os colaboradores serão informados constantemente através dos relatórios de sustentabilidade corporativa.

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COLABORARAM PARA ESTA MATÉRIA

Eduardo Straub – É LEED AP BD+C, sócio da StraubJunqueira – Consultoria em Construção Sustentável. Engenheiro Civil, formado pela Escola de Engenharia Mauá, pós-graduado em Gestão Ambiental pelo SENAC, curso de especialização em Construções Sustentáveis pelo GBC Brasil; master em Gestão de Sustentabilidade pela FGV, LEED AP BD+C; membro e participante dos comitês do CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável; participante dos comitês do referencial técnico para residências – GBC Casa. .

Luiza Junqueira – É LEED AP BD+C; DGNB Consultant e consultora do GBC Casa. Sócia da StraubJunqueira – Consultoria em Construção Sustentável. Arquiteta e Urbanista, formada pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Ainda na universidade se tornou a primeira estudante LEED AP do Brasil. Atua na área de consultoria em sustentabilidade com ênfase em certificação LEED desde 2007, participando ativamente de empreendimentos certificados em todo o Brasil, dentre o quais destaca-se o primeiro empreendimento Core & Shell do país, a primeira escola da América Latina e a primeira sede de prefeitura do Brasil. Fez parte da equipe de vários outros como shoppings centers, arenas de futebol para a copa do mundo FIFA 2014, indústrias, entre outros do setor público e privado. Também é Consultora certificada DGNB (German Sustainable Building Council), e atua como voluntária do Living Building Challenge São Paulo. É professora do GBC Brasil, responsável pelo curso “Como se Tornar um LEED Green Associate”.

 

A Importância de se tornar um profissional acreditado LEED

Por Arq. Luiza Junqueira – LEED AP BD+C

      O aumento perceptível da importância dada a construção sustentável nos últimos anos e o crescimento constante de empreendimentos que buscam a Certificação LEED no Brasil, que o incluem na lista dos Top 5° em número de registro e certificação, exigem proporcionalmente o ingresso no mercado de cada vez mais profissionais capacitados a atender esta demanda.
Constantemente meus alunos fazem questionamentos como: “Qual a real importância da acreditação profissional? Qual o valor dela perante o mercado?; Para prestar consultoria ou exercer atividade ligada ao setor de construção sustentável é necessário ser um profissional acreditado?; Qual a diferença entre “LEED GA” e LEED AP”?,” e por ai adiante!
Então vamos desmistificar os fatos!
Começo pelo questionamento de “Qual a real importância de ser um profissional acreditado e Qual a o valor perante o mercado?”;  Qualquer certificado de acreditação profissional serve como garantia para o profissional, e o qualifica de suas competências relacionadas ao assunto. Desta forma, não se faz necessário comprovar por outros meios, seja para um contratante ou empregador de que o sujeito é capaz de atuar com aquela determinada área de interesse, pois o certificado atesta suas competências. Nesse sentido é importante ressaltar que ambas as certificações LEED GA e LEED AP exigem que o profissional comprove suas competências através de horas técnicas que devem ser renovadas a cada dois anos. Este sistema obriga que o profissional esteja sempre se reciclando, adquirindo novos conhecimentos e/ou atuando na área para que possa carregar o mérito de sua acreditação profissional, pois não há conhecimento adquirido que se não posto em prática perdure no tempo o suficiente para o indivíduo carregar para sempre o mérito do certificado. Trata-se de uma forma saudável e inteligente de manter os esforços do setor de construção sustentável sempre se atualizando. Caso o profissional perca seu certificado e deseje no futuro retomar seus conhecimentos, nada o impede de refazer o exame!
Apesar do exposto acima, isso não significa que é obrigatório carregar qualquer certificação profissional para ingressar na área ou exercer qualquer atividade relacionada ao tema da construção sustentável, seja de consultoria, atuando com projetos, construção ou fornecimento de tecnologias complementares. Há inclusive excelentes profissionais no mercado, especialistas em suas áreas de atuação; como por exemplo em eficiência energética ou recursos hídricos que não são acreditados LEED. Todavia, o que ocorre conforme mencionei é que o profissional que carrega uma certificação é reconhecido pelo mercado como um profissional que possui conhecimento em construção sustentável – isso significa um conhecimento abrangente e holístico, nas diversas áreas contempladas pela construção sustentável, como o uso do solo e a gestão dos espaços urbanos, os recursos hídricos, eficiência energética, materiais, conforto, entre outras.  Vale ressaltar que não necessariamente ele conhece a fundo todas essas áreas (se conhecesse poderíamos chama-lo de super herói), mas ele é capaz de compreender as particularidades de cada uma dessas áreas e atuar como interlocutor entre todos os envolvidos, compreendendo as divergências e propondo sinergias através do uso da lógica e criatividade para o resultado de um edifício mais eficiente para aqueles que o possuem e utilizam.
Afinal, qual a diferença entre LEED GA e LEED AP?
Basicamente o LEED GA, como definido pelo próprio USGBC, é o primeiro passo. O profissional que busca a certificação LEED GA entretanto já deve demonstrar ter conhecimento completo dos princípios de construção sustentável e dos sistemas de Certificação LEED, no caso desse ultimo, isso implica em saber diferenciar os diferentes tipos de Certificação e para quais tipologias construtivas devem ser aplicadas, como funciona o sistema de gestão da documentação (através da ferramenta LEED Online), custos, tempos, entre outros. Já o LEED AP, além de conhecer sobre tudo isso, deve ter um conhecimento aprofundado sobre a sua área de atuação – por exemplo o LEED AP BD+C – Buiding Design and Construction, possui expertise em sistemas de Certificação de Novas Construções, além de ter a capacidade de facilitar o processo de Certificação LEED. Em termos práticos para quem esta em busca de dicas para realizar a prova, isso significa que no exame do LEED AP caem questões específicas dos créditos, como por exemplo o quanto é necessário reduzir do volume de escoamento superficial de um determinado terreno que antes da intervenção mais de 50% de sua área total era impermeável, enquanto que no exame de LEED GA é necessário saber o que significa o termo “escoamento superficial”.  Certa vez um aluno definiu: “O LEED GA é como se fosse então um clínico geral e o LEED AP um especialista”. Tenho que concordar que essa foi uma boa definição!
Talvez alguns não saibam, mas existe a possibilidade de realizar ambos os exames de uma só vez – 2h para a prova do LEED GA + 2h para o LEED AP, e se bem sucedido o profissional pula o primeiro estágio e passa a ser direto um LEED AP. Minha opinião sobre isso? Categoricamente não recomendo! A não ser que você já atue com projetos e/ou processos LEED há algum tempo e esteja muito seguro de seu conhecimento. Na maioria dos casos sugiro realizar primeiro o GA, para que o candidato se familiarize com os conhecimentos e a dinâmica do exame, e em um segundo passo faça o AP. O que tenho visto ultimamente é que a maioria dos profissionais (arrisco aqui a dizer 100% dos meus alunos) que buscam a Certificação nunca tinham tido contato prévio com o conteúdo ou com algum projeto em processo de Certificação, ou o contato havia sido muito superficial, e ao estudarem e se dedicarem ao exame conseguiram passar com êxito na primeira tentativa. Além disso, o exame hoje já é realizado em Português, um grande fator facilitador para aqueles que se utilizavam do fator linguístico como um impeditivo para realizar a prova.
Independente da ordem dos fatores; LEED GA ou LEED AP, o que o Brasil demanda é cada vez mais de profissionais qualificados atuando no setor da construção civil. O profissional deve conhecer e saber aplicar os conceitos de sustentabilidade, pois não é uma questão de “onda do momento”, como muitos gostam de dizer, mas sim uma necessidade real e presente. Neste sentido as acreditações profissionais vem para contribuir com esta necessidade e a obrigar que a régua de qualidade do mercado cresça cada vez mais. Não é atoa também que o numero de profissionais, assim como de empreendimentos somente cresce no país. Mês após mês, mais profissionais se tornam LEED GA e LEED AP, entretanto, se formos analisar a quantidade de profissionais que se formam todos os anos no país apenas nas faculdades de arquitetura e engenharia, a quantidade desses profissionais ainda não representa nada.
Por isso, sou defensora da disseminação de uma educação de qualidade e da proliferação de profissionais capacitados no mercado, e quando falo mercado é em toda da cadeia – projetistas, construtoras, fabricantes, entre outros. Há lugar e demanda para todos, e somente assim conseguiremos atingir níveis cada vez mais elevados de qualidade do ambiente construído, além de garantir, é claro, retorno financeiro e respeito à sociedade e ao meio ambiente!
*Texto escrito pela professora do curso
“Como se tornar um Profissional LEED GA (Green Associate)”
Luiza Junqueira
www.straubjunqueira.com.br

Incorporação de entulho em obra

Artigo de Eduardo Straub, engenheiro civil e proprietário da Straub, empresa que presta consultoria em sustentabilidade para Greenbuildings e toda a cadeia da construção civil

http://www.aecweb.com.br/cont/a/incorporacao-de-entulho-em-obra_8553

Erroneamente, muitas empresas ligadas à construção civil ainda veem a esfera ambiental da sustentabilidade apenas como custo, quando, na verdade, uma ação ou ideia “verde” bem planejada e desenvolvida desde antes do início das atividades pode trazer economia além de melhorar a imagem da empresa junto aos seus stakeholders.

Uma dessas ações verdes que traz benefícios ao empreendimento é a correta gestão dos resíduos. Seguindo a resolução federal 307/2002 expedida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, os geradores de resíduos da construção civil devem ser responsáveis pelos resíduos das atividades de construção, reforma, reparos e demolições de estruturas e estradas, bem como por aqueles resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos. Tais resíduos são classificados nessa resolução como A, B, C ou D. Os resíduos dentro da Classe A são aqueles reutilizáveis ou recicláveis como agregados, a Classe B representa os resíduos recicláveis para outras destinações, já as Classes C e D representam, respectivamente, resíduos que ainda não tiveram desenvolvidas tecnologias que permitam sua reciclagem e resíduos considerados perigosos.

Mesmo com tal resolução em vigor, ainda é comum que os resíduos classificados como A e B, desde que não gerem receita direta para a obra como o resíduo de sucata devido a sua fácil comercialização, sejam descartados em aterros. Uma caçamba de 4m3 de entulho, material classificado como A, custa em média R$380,00 se descartada em aterro contra R$300,00 se enviada para reciclagem. Esses R$80,00 de diferença é a taxa cobrada pelos aterros, cada vez mais caros e escassos.

Um pouco além da legislação, uma ação “verde” que pode beneficiar o empreendimento quanto ao descarte do entulho é justamente não descartá-lo, mas incorporá-lo na obra como bica corrida, estabilização do solo, fechamento de valas, sub-base para pavimentação de vias, entre outros. Essa boa prática é favorável às três esferas da sustentabilidade: econômica, social e ambiental. Econômica porque não haverá o descarte do resíduo, social porque haverá necessidade de menos aterros e, com isso, a valorização de mais áreas, e ambiental, pois a reutilização de um material se resume ao não consumo de mais matérias-primas. Para exemplificar o conceito acima, um edifício comercial em concreto de 10.000 m² de área construída gerará em torno de 900m3 de entulho. Caso a mesma descarte todo esse entulho para aterro, a obra gastará R$ 342.000,00. Caso esse entulho seja enviado para reciclagem, o custo será de R$270.000,00. Para o terceiro caso, suponha que a obra destine 1% de entulho sujo para aterro, 5% para reciclagem e consiga incorporar 3% do material no empreendimento. O custo final será de R$188.000,00, uma economia de 55% em relação ao primeiro caso.

As esferas social e ambiental nunca andaram tão próximas da econômica e a indústria da construção civil passará esses próximos anos por um novo divisor de águas, onde as empresas líderes do mercado deverão liderar essa nova tendência com soluções, inovações, melhorias e ideias ou então cederão seu espaço para os novos líderes.

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Consumo de Água na Construção Sustentável

Artigo de Eduardo Straub, engenheiro civil e proprietário da Straub, empresa que presta consultoria em sustentabilidade para Greenbuildings e toda a cadeia da construção civil

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Com 12% dos 3% de toda água doce disponível no planeta Terra, o Brasil se encontra numa posição bem privilegiada se comparado a tantos outros países. E isso não é para menos, além de seus enormes e longos rios, o Brasil conta com os dois maiores aquíferos do mundo: O aquífero Guarani, com seus 45 mil km3 de água doce abrangendo 8 estados e 4 países, e o aquífero Alter do Chão, com 86 mil km3 de água doce se estendendo por uma área de 437.500 km2 em 545 metros de espessura média. Só o aquífero Alter do Chão seria suficiente para abastecer por 100 vezes toda a população mundial.

Contudo, num país continental, não é fácil trazer toda essa água para os grandes centros urbanos. Segundo a SABESP, a região metropolitana de São Paulo tem seu sistema de abastecimento integrado por 8 complexos e é responsável em atender 39 municípios com a produção de 67 mil litros de água por segundo. Com esse volume de água sendo consumido quase instantaneamente e com a escassez de chuvas, é inevitável que haja racionamento. O sistema Alto Tietê opera hoje com 44,7% de sua capacidade, enquanto que o sistema Cantareira opera com 22,2%. O nível está tão baixo e a situação é tão crítica que a SABESP passou a responsabilidade de consumo para a população. Quem reduzir 20% do seu consumo de água, terá um abatimento de 30% na sua conta de água.

Dentro deste cenário, o US Green Building Council informa que a construção civil consome 21% de toda a água tratada do planeta e que 13,6% é de responsabilidade das edificações. No entanto, os edifícios verdes já vêm implementando certas estratégias economizadoras que podem chegar a 50% de redução no consumo de água potável.

Uma dessas estratégias está na utilização de vegetação nativa para as áreas de jardim. Além de promover a biodiversidade, a vegetação nativa está adaptada para sobreviver nas condições climáticas de seu local de origem. Ou seja, não é necessário irrigação. Porém, se o jardim não contar apenas com vegetação nativa, o sistema de irrigação por gotejamento com sensor de chuva reduz em até 70% o consumo de água.

Sistemas de coleta de água pluvial e de águas cinzas são ótimos para serem utilizados para fins não potáveis como descargas, lavagem de áreas externas e irrigação. No entanto, é necessário orientar as pessoas quanto ao seu uso restrito.

Para as áreas internas da edificação, utiliza-se o sistema dual flux para vasos sanitários, onde o consumo é de 3 litros de água para líquidos e 6 litros para sólidos. Com o sistema dual flux, a economia de água, em relação a sistemas tradicionais, chega a 60%. Para torneiras, utilizam-se arejadores e restritores e, dependendo do uso, podem ser instalados sensores de uso ou sistemas de pressão. Já os chuveiros são instalados com temporizadores, que liberam apenas a quantidade de água necessária para o banho e garantem uma economia de até 70% no consumo de água. Para quem acha ruim tomar banho com contagem regressiva, faz anos que o governo australiano orienta seus cidadãos a não ficarem embaixo do chuveiro por mais de 4 minutos. Quem desrespeita e tem um consumo excessivo recebe uma advertência do departamento de água pelo correio.

Outra estratégia é a instalação de medidores individualizados de consumo de água. Dessa forma, cada um paga pelo seu respectivo consumo e também facilita a identificação de possíveis vazamentos. A SABESP, em seu site, disponibiliza uma lista comparativa entre equipamentos convencionais e equipamentos economizadores.

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